No último sábado a Mirô trocou a rotina de propostas e reuniões por um dia inteiro dentro do Plug Social Day, em Recife. Um evento com Erickson Monteiro, CEO e fundador da Plug, Hector Muniz, da Agência Koko, e Simone Bispo, que já foi responsável por contas como Burguer King e Duolingo, discutindo estratégia, comportamento de algoritmo e escuta social.
Plug Social Day em resumo: o evento reuniu especialistas em Recife para falar sobre o que muda quando uma marca para de tratar rede social como vitrine e passa a tratar como sistema de escuta e distribuição. Foi terreno direto para a Mirô, agência de comunicação com atuação forte no digital, que soma esse tipo de imersão à forma como monta diagnóstico e estratégia para os clientes, principalmente na Ajuste de Mira, nossa consultoria.
Voltamos com o caderno cheio de ideias para aplicar. Separamos aqui as que mais mexeram com a forma como a Mirô pensa comunicação, e que já estão entrando no nosso jeito de atender clientes.
Essa foi a abertura de Erickson Monteiro, CEO e fundador da Plug: um soco no estômago de quem trabalha com prazo apertado. A diferença entre um executor e um estrategista não está na criatividade. Está na ordem em que cada um pensa.
O executor recebe o pedido e já sai fazendo. O estrategista para antes e pergunta: será que o cliente sabe qual é o problema real dele?
"Quero vender mais" não é diagnóstico. É um sintoma. E o sintoma não define estratégia nenhuma.
O caminho apresentado por Erickson foi direto: investigação, depois diagnóstico, depois estratégia, só então execução. Toda estratégia boa passa por cinco filtros, nessa ordem: contexto, qualidade, evidência, lacunas e pesquisa. Contexto é entender o que ainda não sabemos sobre o negócio. Qualidade é desconfiar se as respostas do briefing são boas o suficiente. Evidência é filtrar toda informação antes dela virar decisão. E a pesquisa acontece em seis fontes: cliente, dados, empresa, conteúdos, mercado e concorrência.
Um erro comum que ele citou, e que a gente já viu de perto: perguntar ao dono do negócio como o cliente dele pensa. Quem sabe como o cliente pensa é o próprio cliente, falando nos comentários, no Reclame Aqui, no direct, nas ligações de atendimento. Esse é o material bruto de qualquer estratégia séria.
Foi a vez de Hector Muniz, da Agência Koko, mostrar o que mais bateu de frente com o que muita gente ainda acredita sobre redes sociais.
Existe alcance determinístico e alcance probabilístico. Determinístico é quando você sabe, com antecedência, quem vai receber seu conteúdo: e-mail e podcast funcionam assim, quase 100% chega em quem assina. Probabilístico é o que virou o Instagram: você publica e um sistema decide, post a post, quem vê, otimizando por interesse e não por relação.
Seguidor deixou de ser garantia de entrega.
E tem outro ponto que vale reforçar para quem contrata social media pensando só no seguidor: o crescimento de verdade não está mais na distribuição, quando o conteúdo chega em quem já te segue. Está na circulação, quando as pessoas movem esse conteúdo para quem nunca ouviu falar da marca. A pessoa que mais interessa para um negócio ainda não segue esse negócio. Por isso, o conteúdo precisa ser pensado para o não seguidor, o tempo todo, não só para quem já converteu.
A palestra de Simone Bispo sobre social listening trouxe uma distinção que a gente vai carregar: monitorar palavras-chave não é a mesma coisa que entender comportamento.
Social listening de verdade é ler o contexto das conversas e o sentimento por trás delas. É entrar na conversa que já está acontecendo, não interromper com um post que não tem nada a ver com o que as pessoas estão sentindo naquele momento. Cada trend e cada meme funciona como termômetro cultural, e a marca que sabe ouvir sai na frente de quem só publica.
Um ponto que ficou marcado: nem toda menção negativa é problema. Às vezes é o ponto de partida para criar algo bom. E quem aprende a ouvir a internet não cria conteúdo no escuro, cria em cima do que o público já está dizendo.
De volta com Hector Muniz, dessa vez com dados sobre marketing de influência que dão respaldo para a decisão que antes era só intuição. Segundo levantamento da YouPix sobre o efeito da influência no consumo, apresentado no Plug Social Day, 71% das pessoas dizem estar cansadas de publicidade feita por influenciadores, mas 80% já compraram algo recomendado por um. As duas coisas acontecem ao mesmo tempo, e isso muda como a gente estrutura ação com o creator.
75% do que se consome no Instagram vem de perfis que a pessoa não segue. E apenas 6% dos conteúdos de creator entregam engajamento e construção de marca juntos, segundo levantamento apresentado com base em 15 mil peças analisadas. Ou seja: a maioria escolhe um ou outro. Quem consegue as duas coisas ao mesmo tempo está fazendo algo fora da curva.
Dado é o que separa proposta genérica de proposta que o cliente sente que foi feita para ele. E capacidade de medir dá muito mais respaldo na hora de cobrar o valor certo pelo trabalho.
Ainda com Hector Muniz, a parte mais prática do dia mostrou um setup mínimo para quem quer usar IA de verdade na rotina de social media, sem depender só de intuição: ferramenta de gestão de tarefas conectada, acesso direto a relatório de anúncio para ler dado sem depender de terceiro, varredura de dado público para entender perfil e concorrência, e algum tipo de automação rodando por trás.
Isso não é teto. É piso. E dá para montar em uma semana, foi a frase que ficou.
Para a Mirô isso confirma um caminho que já vínhamos testando, principalmente na Ajuste de Mira: usar IA para estruturar diagnóstico e leitura de dados, e deixar o tempo humano para a estratégia e para a relação com quem está do outro lado da mesa. Máquina lê volume. A pessoa lê a intenção.
Voltamos de Recife com a confirmação de algo que já guiava a Mirô desde o começo: proposta boa não nasce de briefing preenchido correndo. Nasce de pesquisa, de escuta e de entender qual é o problema por trás do "quero vender mais" que quase todo cliente chega falando, seja numa ação de influência, num evento ou numa sessão da Ajuste de Mira.
O Plug Social Day não trouxe fórmula mágica. Trouxe estrutura para pensar melhor antes de executar, e dado para defender decisão que antes a gente só sentia no instinto. Já está entrando no jeito que a Mirô monta diagnóstico para os clientes que estão com a gente agora, e vai aparecer nas próximas propostas e sessões de consultoria que saírem daqui.
Se você tem um negócio e sente que falta clareza sobre o que está travando sua comunicação, mesmo com conteúdo saindo toda semana, talvez seja hora de conversar sobre o que está por trás disso.
O Plug Social Day é um evento de social media realizado em várias capitais brasileiras, entre elas, Recife, que reúne especialistas em estratégia digital, escuta social e tecnologia aplicada à comunicação.
O evento teve três frentes principais: Erickson Monteiro, CEO e fundador da Plug e do maior evento de social media do mundo, o Conexão Social Media, abrindo com estratégia e diagnóstico de negócio; Hector Muniz, da Agência Koko, com alcance de rede social, dados de marketing de influência e tecnologia aplicada à social media; e Simone Bispo, publicitária e creator, premiada em diversas categorias, já foi responsável por contas como Burguer King e Duolingo, com uma palestra dedicada a social listening.
Erickson Monteiro, CEO e fundador da Plug, apresentou um framework de construção de estratégia baseado em cinco filtros: contexto, qualidade, evidência, lacunas e pesquisa. O ponto central da fala foi que estratégia é um processo de redução de incertezas, e que a diferença entre um executor e um estrategista está na ordem em que cada um pensa antes de agir.
Alcance determinístico é quando a marca sabe, com antecedência, quem vai receber seu conteúdo, como acontece com e-mail e podcast. Alcance probabilístico é o modelo das redes sociais atuais, em que um algoritmo decide, publicação por publicação, quem vê o conteúdo com base em interesse e não em relação com o perfil.
Social listening é o processo de entender o contexto e o sentimento por trás das conversas de um público, e não apenas monitorar palavras-chave. Na prática, significa ler comentários, avaliações e tendências para identificar dores, desejos e oportunidades antes de criar conteúdo, entrando na conversa que já existe em vez de interrompê-la com um post descolado do momento.
Sim, e é exatamente o que separa uma ação de influência bem planejada de uma ação aleatória. Segundo dados apresentados no Plug Social Day, com base em análise de 15 mil peças de criadores, só 6% dos conteúdos entregam as duas coisas juntas, o que reforça que escolha do creator, formato e briefing estratégico fazem diferença real no resultado.